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Porque devemos prestar mais atenção à inovação

Estamos vivendo numa época onde é cada vez mais necessário o uso de conhecimento. Estamos possivelmente numa quarta revolução de nossa civilização, onde a primeira foi a revolução agrícola, a segunda foi a revolução industrial e a terceira foi a revolução da informação. Não creio que seja difícil verificar que não há volta nesta sequência, nem que a intensidade no uso de conhecimento cada vez mais específico vá diminuir de velocidade.

Pois bem, uma vez que aceitamos isso, precisamos também entender o chamado ciclo do conhecimento. Este ciclo explica as fases do conhecimento, que são basicamente 3 (três): geração, transformação e aplicação. A geração do conhecimento se dá tipicamente nas universidades (em especial aqui no Brasil), em função de seus professores altamente qualificados, laboratórios e grupos de pesquisa. Pode-se dizer que aqui se faz ciência. Espera-se que parte deste conhecimento gerado possa ser transformado para gerar utilidade na sociedade. Esta segunda etapa se dá tipicamente nos centros de pesquisa, que podem ser públicos ou privados. Alguns exemplos famosos são FIOCRUZ, EMBRAPA e SENAI-CIMATEC. Pode-se dizer que aqui se desenvolve tecnologia. Por fim, espera-se que parte deste conhecimento desenvolvido atinja a sociedade em geral, por meio de produtos e serviços que resolvam os seus problemas. Tipicamente isso acontece nas empresas, tanto públicas quanto privadas. Pode-se dizer que é exatamente aí que ocorre a inovação.

Quanto mais intenso este ciclo, mais inovadora é uma sociedade. E isso é importante por um motivo bastante simples: é aprendendo a resolver os problemas da sociedade, por meio do desenvolvimento de soluções tecnológicas (por exemplo), que percebemos valor na aplicação do conhecimento.

Como dito no primeiro parágrafo, não há volta no ciclo do conhecimento. Por isso é que cada dia mais devemos aprender a gerar valor e assim tornar a nossa sociedade mais inovadora. A consequência disso vai ser não apenas a redução de nossos problemas, como também a criação de riqueza, por meio da agregação de valor.

A nova forma da inovação: a sua versão aberta

Como eu disse recentemente em artigo publicado por aqui, devemos prestar mais atenção à inovação. É imperioso que nossa sociedade entenda os motivos pelos quais devemos aprender a jogar este jogo e sermos relevantes nesta área. Mas o que é que está acontecendo que merece nossa atenção agora? A resposta é muito simples. É a forma como o processo de inovação está sendo modificado nestes últimos anos. Vejamos então.

Grandes empresas sempre inovaram porque possem grandes centros de pesquisa e desenvolvimento corporativos. Estes centros possuem alguns ingredientes especiais: quantidade de cientistas e pesquisadores qualificados; laboratórios com equipamentos específicos; orçamentos relevantes; e assim por diante. Entre as empresas que atuam com esta estratégia podemos enumerar a 3M, a IBM, a PG, a Volkswagen, a Whirlpool, dentre muitas.

Mas eis que nos últimos anos uma outra estratégia tem sido utilizada por estas mesmas corporações para avançar no conjunto de novidades contínuas em seus portfólios de produtos e serviços inovadores. O surgimento das chamadas startups está modificando o cenário de inovação da seguinte maneira: as grandes empresas estão agora monitorando estas startups e realizando então parcerias e financiamento (dentre outras maneiras), por exemplo por meio de corporate venture, quando a tecnologia sendo desenvolvida pela startup está alinhada com os negócios da grande empresa. Em outras palavras, a área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) que antes era corporativa, agora está sendo parcialmente realizada fora das grandes empresas. É a chamada inovação aberta, que vem crescendo muito em todas as economias e sociedades organizadas pelo planeta.

Só para ficar aqui em nosso imenso país, algumas grandes empresas já estão aprendendo a fazer inovação aberta. Vejamos alguns exemplos: o Itaú, a Porto Seguro e a Totvs.

Como é de conhecimento público, o Itaú tem em São Paulo um espaço colaborativo, chamado de Cubo, onde algumas startups promissoras ficam residentes e desenvolvem soluções tecnológicas de maneira mais livre do que o próprio conglomerado Itaú. Isso significa na prática que as chances das soluções desenvolvidas serem mais discuptivas é maior do que se fossem desenvolvidas de maneira corporativa. Este ambiente colaborativo faz tanto sucesso que recentemente foi anunciado uma troca de endereço pelo Cubo, que vai para um novo local bem maior do que o ocupado atualmente.

A Porto Seguro está fazendo na essência algo similar, mas de maneira diferente. A empresa tem uma aceleradora de startups, denominada Oxigênio, que acolhe e incentiva o desenvolvimento de soluções que sejam interessantes para o seu negócio principal, que é na área de seguros.

Por fim, a Totvs, possivelmente hoje a maior empresa brasileira de software, tem um braço de investimentos, denominado Totvs Ventures, que faz exatamente o que o nome diz: quando está alinhado com os negócios da corporação, as startups são adquiridas (ou até às vezes investidas) e seus produtos passam a fazer parte do leque de opções da nova empresa mãe.

Pois é, e a sua empresa, ou então a empresa onde você trabalha, como ela está vendo este cenário? Ela está acompanhando a evolução do mercado?

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